Talvez eu seja mesmo um bobo,
um tolo que ainda prefere acreditar.
Tão bobo que me distraio dos próprios machucados
e, com uma lágrima congelada no rosto,
sorrio —
usando o vermelho para desenhar
um semblante feliz.
Talvez, numa dessas porradas que a vida dá,
eu tenha lesionado o lugar de pensar.
Ou, quem sabe, o lugar de lembrar —
para me defender das ranhuras.
E que a bobice esteja tão instalada
que, mesmo diante do perigo,
a ternura se agigante
e o sorriso me cubra o olhar.
Ou ainda:
de tão carregado de afeto,
ignoro a maldade alheia
saltando na minha direção.
Por isso talvez eu não me decepcione:
sei o que esperar do outro.
Não espero leveza,
embora ainda não tenha me acostumado
com a frieza.
E, despretensiosa e silenciosamente,
alimento-me dos sorrisos alheios,
da alegria, inclusive, deles.
Sigo amando com todas as minhas forças.
E, se um dia fosse correspondida…
Ah… isso seria bom!
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