Moço, moço…
ôh moço,
o que é que está fazendo parado aí?
Não vê que beira a loucura tentar descobrir quem sou?
Como essa façanha seria possível
se nem eu mesma sei quem sou
logo depois de descobrir quem sou?
Ah, seu moço…
Pare com essa bestagem de querer descobrir
o que eu mesma não descobri
depois de descobrir o que penso que quero descobrir.
Ah, seu moço, pega teu rumo.
Olha teus próprios caminhos tortos
e tuas torturas.
Olha tua vida,
tão vazia de tanta coisa…
Veja…
Até as tuas importâncias você torna desimportantes,
porque insiste em dar importância ao desimportante.
Esvazia teu conteúdo
e preenche tudo com um teatro insólito.
Você se desapercebe.
Seu moço, olha só:
Não consegues me ver —
não consegues me ler,
não falamos a mesma língua.
Vejo que não vê:
só vê o que procura,
e, consequentemente,
me perde de vista.
Moço, antes de tentar me olhar,
olhe para dentro.
Tem algo crônico aí…
Esvazia-se.
Não tem o que procurar em mim.
Você não vai achar.
Nem quem sou,
muito menos as oportunidades que tanto busca.
Mas se te olhares,
aí sim —
terás muito o que encontrar.
Inclusive a oportunidade de se aperceber.
É sempre de dentro para fora,
jamais o contrário.
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